ESTRATÉGIAS DO ABISMO

 

 
::05 fevereiro, 2006::


Social killers




Os atos de pressão psicológica nas organizações são perversos e destrutivos. Equivalentes à violência física, minam a auto-estima, violam direitos essenciais do cidadão, desestabilizam e aniquilam o ser humano.
Muitos Profissionais submetem-se, passivamente, amedrontados pela perda de emprego, pela redução de salário, ou danos equivalentes.
São práticas maquiavélicas que promovem o assassinato moral, expressos nas técnicas de desestabilização, desvalorização do individuo por alusões maldosas, calúnias e difamações.
O ponto comum a todos estes casos, é o assédio moral. Tradução literal da sua denominação em francês ("harcèlement moral"), esta expressão designa os métodos da gestão de pessoal, em certas empresas, que recorrem às técnicas habituais da perversão moral.
O fenômeno inicialmente reconhecido em França foi identificado desde há muito noutros países, como os EUA, a Suécia ou a Grã-Bretanha, sob o termo genérico de "psicoterror”.

O assédio moral é um degradação deliberada das condições de trabalho.

O assunto é primorosamente tratado no livro: "O assédio moral - a violência perversa do quotidiano", da psiquiatra Marie-France Hirigoyen
(edições Syros).

"Um indivíduo consegue destruir um outro indivíduo através de um processo de assédio moral”, diz Marie-France Hirigoyen.
As palavras da psiquiatra exemplificam os múltiplos casos que vivenciamos nas esferas organizacionais.

Os autores de tais perversões utilizam o “poder” do cargo para aniquilar recentes parceiros, geralmente melhor preparados que eles.
A competência e o conhecimento são as causas geradoras das eutanásias psíquicas praticadas, por tais tiranos. Por onde transitam, vão largando morto-vivos, enquanto arrebanham quadrilhas, prontas aos exercícios de suas sanhas de morte e terror.



“Recorrendo a certo número de” técnicas de desestabilização habituais nos perversos - os subentendidos, a desvalorização, as alusões maldosas, a mentira, as humilhações - é possível proceder a uma manipulação maldosa que os outros não vêm - ou não querem ver, por medo de perderem o emprego, ou por dolosa omissão.

Com frequência e sangue frio , os perseguidores [ou “social killers”] voltam à situação para parecerem vítimas, e ainda deitam flores sobre os moribundos.

Assim, com palavras aparentemente anódinas, com alusões, sugestões e não-ditos, é efetivamente possível desestabilizar uma pessoa, isolá-la e até destruí-la, sem que as pessoas à volta intervenham.

A definição de Marie-France Hirigoyen é uma das mais claras que encontramos:
- "Assédio moral no local de trabalho é qualquer atitude abusiva e repetida que se manifesta por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos, podendo atentar contra a personalidade, a dignidade, ou a integridade física ou psíquica de uma pessoa, e pôr em perigo o emprego dessa pessoa ou degradar seu ambiente de trabalho”.
O objetivo é o de transformar o empregado num fantasma, retirar-lhe responsabilidades de trabalho, dar-lhe menos tarefas, menos interessantes, torná-lo inútil, submetendo-o ao mesmo tempo a todas as pressões já descritas.
A desmoralização pretende empurrar o empregado a cometer faltas profissionais, que justifiquem a sua demissão.
Registros existem, todo este processo leva as pessoas visadas ao suicídio.

Tais crimes ocorrem diuturnamente, e os criminosos permanecem impunes.

Até quando?

( O texto se baseia na leitura da obra citada, e na transposição dos conceitos para minha experiência profissional: sou testemunha desta realidade podre.)






::18 dezembro, 2005::


Prólogo





Na diáspora de nossas vidas, caminhamos num tumulto desencontrado, delegando o vôo metafísico aos sonhadores, poetas e filósofos.
Esquecemos o cheiro da brisa, trocamos o nascer do sol por meta$-metal e concreto. De tal forma incorporamos nossas máscaras “personas social e profissional” que já não sabemos viver sem elas, assim nos tornamos protéicos, como protéica é a organização que transfusionou nossas artérias, valores e princípios.
Vivemos um novo holocausto, transmutadas em diferentes formas as Organizações nos aprisionam e nos sacrificam.
Somos os novos integrantes da lista de Schindler, ao mesmo tempo em que somos seu corpo e mente ressurgidos.
Parte de nós é vítima, mergulhada em obscuro medo, parte de nós é assassina.
É tóxico o alimento de nosso espírito conturbado. Nossa fotossíntese realiza-se na clorofila do colega da esquerda, da direita, movidos pela missão questionável das organizações que nos “abrigam (?)”.
Incontáveis vezes somos agentes dos planos macabros: - disparamos o gatilho sobre os inocentes, calamos verdades, rasgamos princípios, tudo em prol dos ganhos coorporativos, e de nossa própria ambição profissional.
Aceitamos jogar o jogo dos ensandecidos.
Nas rodadas estratégicas, lançamos os dardos sem sequer olhar para o guarda da esquina (i).
Elaboramos tratados, ditamos normas, cobramos os juros, praticamos a morte dos concorrentes, decretamos falências, brindamos os vencidos.
Mentem os que disserem o contrário, exceto aqueles que ainda permanecem com visão embaçada. Somos iguais, diversos apenas em gênero e endereços. De resto, somos construtores de idêntica ambiência, atores do mesmo palco, co-autores desta “crise” letal, sem precedentes na história humana, cujo único alicerce é a riqueza material.
Sem questionamentos, aceitamos as regras do jogo coorporativo independente de bases que o legitimem.
Vivemos a crise da modernidade, diversa de todas as crises pelas quais a humanidade passou.

A dialética do sucesso diminui nossa capacidade de refinar a visão de nexo, enquanto aumenta o imediatismo pragmático imposto pelo "cargo" ou pela busca desenfreada por resultado$.(?)

Escravos da racionalidade dos meios, somos criaturas perdidas na escuridão-axiológica.
Estamos órfãos da cultura do tempo-presente, a modernidade, desde sua gênese como cultura, lança-nos ao desamparo do niilismo.
E, neste exército organizacional, prestando continências para o lucro, vivemos o espectro do absurdo.

(i)Moral






::17 dezembro, 2005::


O preço do sucesso








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